Crença e dinheiro podem andar juntos?
A mistura entre política e religião tende a não dar certo – como mostrou a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Por outro lado, a função das crenças em nossas decisões econômicas merece uma análise de prós e contras.
Antes de mais nada, é importante entender que o nosso cérebro sempre vai se esforçar para criar um sentido lógico para tudo que experimentamos. A falta de coerência e de sentido é algo que nos incomoda profundamente – por isso, sempre buscamos uma forma de tudo se encaixar. Prova disso é um fenômeno chamado de pareidolia – uma tendência que temos a enxergar imagens com significado em rochas, nuvens e qualquer outro formato abstrato. Ou seja, no meio de algo completamente aleatório, nosso cérebro cria uma imagem para acreditar.
Se, por exemplo, eu for uma pessoa extremamente supersticiosa, posso acreditar que fui muito mal em uma prova porque esqueci de levar minha caneta da sorte. Muitos poderiam pensar que é comodismo pensar desta maneira, mas se olharmos de maneira inversa, os resultados podem ser melhores.
A psicóloga social alemã Lysann Damisch fez uma experiência em que um grupo de pessoas era direcionado a acertar jogadas de golfe, enquanto um segundo grupo deveria fazer o mesmo, mas antes de iniciar as tacadas eram induzidos a acreditar que usariam uma bola da sorte. De um modo geral, o incentivo da bolinha fez com que os resultados do segundo grupo fossem melhores.
Quando temos uma crença forte de que algo vai nos ajudar a conquistar um objetivo, ganhamos uma espécie de força extra, uma determinação a mais que nos direciona para aquilo que buscamos. Em outras palavras, nossas chances de sucesso melhoram.
O ponto crítico de levar isso extremamente ao pé da letra é que corremos o risco de usar esses gatilhos para confirmar vieses do nosso cérebro em busca de um sentido imediato. Acreditar que o sete é o seu número de sorte pode não trazer consequências drásticas se você deixar isso somente para apostas que não valem dinheiro ou bolões que não envolvem mais que alguns trocados. A situação já fica complicada se você transferir esta mesma forma de agir quando for definir as ações que pretende comprar na bolsa de valores.
Encarar uma crença como forma de aumentar a determinação pode ser positivo, principalmente em termos de carreira. O contraponto desta balança é saber usar o senso crítico para dar limites a um cérebro que deseja encontrar sentido para tudo que vê. Sua crença pode ser um incremento a mais para que você seja uma pessoa mais focada em seus objetivos, mas não permita que o excesso de confiança nela te leve a tomar decisões ruins.
Fonte: Gospel Prime
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