PM usou cerca de cinco bombas de gás lacrimogêneo. Pequeno grupo contrário ao governo Dilma ocupou via por 39 horas.
18/03/2016 08h48 - Atualizado em 18/03/2016 12h13
Por Paula Paiva Paulo
Do G1 São Paulo
Dois carros blindados da Tropa de Choque da Polícia Militar chegaram à Avenida Paulista às 8h30 desta sexta-feira (18) para retirar cerca de 30 manifestantes contrários ao governo Dilma Rousseff e ao ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva que insistiam em permanecer na via, que estava interditada havia 39 horas. Policiais do patrulhamento ostensivo da região deram apoio na operação.
Às 9h, os carros da polícia avançaram com jato d'água e dispersaram os manifestantes que estavam em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Os policiais também usaram cerca de cinco bombas de gás lacrimogêneo.
O protesto começou às 18h15 desta quarta-feira (16), segundo a Polícia Militar, e provocou trânsito na região. No início da manhã, a PM informou que havia cerca de 150 manifestantes e dez barracas no local.
O G1 não viu nenhuma pessoa ferida e a Polícia Militar também não tem registro de feridos. Os manifestantes ficaram molhados e um grupo seguiu protestando na calçada. "Só quem está molhado pode opinar", disse manifestante sobre a permanência ou não do ato na calçada. Também houve vandalismo na ciclovia da Avenida Paulista que foi pichada durante a madrugada e manhã desta sexta-feira (18), durante a manifestação.
Pouco depois da liberação, cerca de 20 pessoas que estavam na Paulista interditaram a Avenida Nove de Julho na altura da Alameda Itú, sentido Centro.
Esta marcado para esta tarde, na Paulista, um protesto de apoio a Lula e Dilma.
O aposentado Luiz Motta, de 64 anos, aparece sem camisa na linha de frente dos manifestantes que decidiram não sair por conta própria da Avenida Paulista. Ainda trêmulo, ele conversou com o G1 após a retirada pelo Choque. "Tacar bomba num cara de 64 anos com a bandeira do Brasil? Não tem necessidade, era pouca gente".
O aposentado disse que a cena o fez lembrar da década de 60, na ditadura. "Lembro do Coronel Erasmo Dias em cima de um jeep do exército, mostrando força, perto do Largo São Francisco. Aquilo ficou na minha memória".
Questionado se quer a volta do regime, nega veementemente. "Quem fala de ditadura é loucura. Nunca fui a favor, não cabe em nenhum país. O que quero é que o Brasil não vire uma Venezuela, estou aqui pela legalidade."
Luiz disse que saiu escondido cedo de casa, porque a esposa não o apoiaria. "Estou com medo de chegar em casa. Minha mulher eu respeito, Tropa de Choque retira com água manifestantes que interditam Paulista
PM usou cerca de cinco bombas de gás lacrimogêneo. Pequeno grupo contrário ao governo Dilma ocupou via por 39 horas.
18/03/2016 08h48 - Atualizado em 18/03/2016 12h13
Dois carros blindados da Tropa de Choque da Polícia Militar chegaram à Avenida Paulista às 8h30 desta sexta-feira (18) para retirar cerca de 30 manifestantes contrários ao governo Dilma Rousseff e ao ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva que insistiam em permanecer na via, que estava interditada havia 39 horas. Policiais do patrulhamento ostensivo da região deram apoio na operação.
Às 9h, os carros da polícia avançaram com jato d'água e dispersaram os manifestantes que estavam em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Os policiais também usaram cerca de cinco bombas de gás lacrimogêneo.
O protesto começou às 18h15 desta quarta-feira (16), segundo a Polícia Militar, e provocou trânsito na região. No início da manhã, a PM informou que havia cerca de 150 manifestantes e dez barracas no local.
O G1 não viu nenhuma pessoa ferida e a Polícia Militar também não tem registro de feridos. Os manifestantes ficaram molhados e um grupo seguiu protestando na calçada. "Só quem está molhado pode opinar", disse manifestante sobre a permanência ou não do ato na calçada.
Também houve vandalismo na ciclovia da Avenida Paulista que foi pichada durante a madrugada e manhã desta sexta-feira (18), durante a manifestação.
Pouco depois da liberação, cerca de 20 pessoas que estavam na Paulista interditaram a Avenida Nove de Julho na altura da Alameda Itú, sentido Centro.
Esta marcado para esta tarde, na Paulista, um protesto de apoio a Lula e Dilma.
O aposentado Luiz Motta, de 64 anos, aparece sem camisa na linha de frente dos manifestantes que decidiram não sair por conta própria da Avenida Paulista. Ainda trêmulo, ele conversou com o G1 após a retirada pelo Choque. "Tacar bomba num cara de 64 anos com a bandeira do Brasil? Não tem necessidade, era pouca gente".
O aposentado disse que a cena o fez lembrar da década de 60, na ditadura. "Lembro do Coronel Erasmo Dias em cima de um jeep do exército, mostrando força, perto do Largo São Francisco. Aquilo ficou na minha memória".
Questionado se quer a volta do regime, nega veementemente. "Quem fala de ditadura é loucura. Nunca fui a favor, não cabe em nenhum país. O que quero é que o Brasil não vire uma Venezuela, estou aqui pela legalidade."
Luiz disse que saiu escondido cedo de casa, porque a esposa não o apoiaria. "Estou com medo de chegar em casa. Minha mulher eu respeito, o governador e a tropa de choque não."
Negociação
A negociação começou às 7h e a PM determinou que o grupo deveria sair às 8h, segundo a assessoria de imprensa da corporação, mas a maioria se recusou. Nova negociação começou às 8h30 e determinou 15 minutos para a liberação da avenida.
A negociação começou às 7h e a PM determinou que o grupo deveria sair às 8h, segundo a assessoria de imprensa da corporação, mas a maioria se recusou. Nova negociação começou às 8h30 e determinou 15 minutos para a liberação da avenida.
Lideranças afirmaram que a maioria aceitou, mas alguns manifestantes disseram que não iriam sair. "A PM está agindo de forma muito coerente tanto com a nossa manifestação quanto com a manifestação petista. Ninguém quer entrar em conflito aqui", afirmou Bruno Balestrero, ator e empresário, sem movimento, antes da liberação.
"De acordo com a negociação feita com a PM e pelo bem-estar de todos, eu concordo com a saída, porque todos temos direitos iguais nesse país, e eu retorno depois", disse.
Fonte: G1
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